Campos de Carvalho afirmava que a Bulgária não existe. Pois digo que a Hungria também não. O Paulo Rónai tentava desmentir, publicando antologias de contos húngaros (e conseguia colocar nela mais de 30 escritores húngaros).
Este ano conheci a literatura do Kosztolányi e fiquei amigo de Kornél Esti (como outrora fiquei amigo do Arturo Bandini). Simplesmente impossível acreditar que exista literatura assim. Nem mesmo lendo, pois nada há de mais enganador neste mundo que nossa própria opinião.
Por me fazer duvidar de mim (como nem Descartes conseguiu), Dersö Kosztolányi recebe minha homenagem neste ano de 2019.
O prêmio Leandro Müller de Literatura é IMPOSTO todos os anos no dia 14 de novembro. O objetivo de tal premiação é única e exclusivamente a expressão pessoal do reconhecimento da influência da literatura dos agraciados em meus próprios escritos. Essa premiação não acarreta em nenhum outro benefício senão minha admiração e respeito. E, por ser um prêmio promulgado, no qual os vencedores sequer tomam ciência de serem-no, não há possibilidade de recusa.
domingo, dezembro 08, 2019
Laureado 2019 - Não houve vencedor
Pela segunda vez na história do Prêmio Leandro Müller de Literatura, não teremos um escritor laureado. As razões são similares às da primeira vez: o primeiro ano do doutorado.
Deixo como sermão a mim mesmo, e lembrança de dar ouvido aos bons conselhos, que certa feita meu amado mestre e professor Ivair Coelho me deu: "Não deixe a universidade atrapar seus estudos, rapaz."
Deixo como sermão a mim mesmo, e lembrança de dar ouvido aos bons conselhos, que certa feita meu amado mestre e professor Ivair Coelho me deu: "Não deixe a universidade atrapar seus estudos, rapaz."
quarta-feira, novembro 14, 2018
Homenageado 2018 - Robert Musil
"Agora, este momento de agora,
é tudo que existe.
Qualquer livro sobre felicidade
dirá para estabelecer metas claras do que quer conquistar e para se esforçar para
conquistá-las. O problema é que isso não funciona.
Você pode se tornar um milionário
aos 40 anos, mas então, perceber que não conseguiu ter um relacionamento feliz.
Ou quando não dá certo, você se sente perdido e se culpa. Quando vivemos pelos
objetivos, esquecemos de viver o agora.
O filósofo Alan Watts afirmou que,
ao ouvir uma música, não se vai para o fim dela porque é onde tudo se encaixa.
Não se lê o último capítulo de um livro, porque é o clímax. Mas, na vida,
ficamos obcecados pelos fins. Estudar para as provas, entrar naquela
universidade, conseguir aquele emprego, progredir na carreira, para quê? Aos 50
anos, conseguimos um cargo e pensamos: "É isso? Foi para isso que
trabalhei?"
Assim, esquecemos que a vida
deveria ser mais como uma música. E nós
deveríamos dançar!"
Derren Brown: Miracle (2016)
(Netflix, 00'50'' a 02'00'')
Por nos deixar um livro sem fim, metafórica
e literalmente, e nos lembrar que não são os fins que importam, minha homenagem
em 2018, Robert Musil.
Laureado 2018 - Yuval Noah Harari
Aqui deveria entrar um texto onde
digo porque ou como “Sapiens” e “Homo Deus” me influenciaram este ano. Porém,
ainda não sou capaz de apontar as profundas estruturas do meu ser que se
desestruturaram.
Por ter escrito o livro que desejei
ter escrito. Por ter escrito o livro que sempre desejei que fosse escrito!
Obrigado por me lembrar que, antes de tudo, prefiro ser leitor. Por favor, Yuval, aceite esta humilde láurea no ano de 2018.
terça-feira, novembro 14, 2017
Homenageado 2017 - Eric Hobsbawm
Alguns dizem que são tempos estranhos, mas prefiro crer que são tempos
interessantes. O mais fascinante é que todos os tempos são interessantes,
principalmente se considerarmos os processos históricos que teimam em nos
convencer que as transformações as quais presenciamos podem ser explicadas pelo
passado. Independentemente das críticas à historiografia, é inegável que uma
obra bem construída nos dá a segurança de uma narrativa histórica confortável e
imune às vicissitudes da vida. Fatos nada mais são que impertinências... a
interpretação é que verdadeiramente define o mundo!
Por fornecer um recorte do mundo contemporâneo, que torna a vida mais
tolerável, Eric Hobsbawm recebe minha Homenagem neste 2017.
Laureado 2017 - Michael Dobbs
Poucos desconhecem, principalmente talvez pelo Kevin Spacey, o fenômeno
chamado House of Cards. Eu também o
conheci assim, no Netflix. Até que alguém me disse: “sabia que a série original
é britânica?”; e não tive outra opção senão procurá-la (é homônima e também
está no Netflix). Mas as surpresas não pararam por aí, e após assistir a
primeira temporada, descobrir tratar-se de um livro — na
verdade três livros — no qual ambas as séries foram baseadas.
Não me recordo de ter lido um livro por causa de
uma série ou filme, embora já tenha visto filmes cujo livro tenha lido. Esse
caminho inverso me foi novo, me foi diferente, me causou um bom estranhamento.
E ler a trilogia me levou a rever todas 5 temporadas da série americana e as 3
temporadas da série britânica, fazendo uma analise comparativa delas juntamente
com os 3 livros. Análise profunda de crossmídia! Foi uma grande alegria
encontrar uma narrativa tão forte que pudesse ser explorada de tantas maneiras,
e tão bem executadas em todas elas.
E por ser a fonte original de tamanho potencial
literário, Michael Dobbs recebe em 2017 esta Láurea.
Foto: By ©House of Lords / photography by Roger Harris, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=171260831
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