
O prêmio Leandro Müller de Literatura é IMPOSTO todos os anos no dia 14 de novembro. O objetivo de tal premiação é única e exclusivamente a expressão pessoal do reconhecimento da influência da literatura dos agraciados em meus próprios escritos. Essa premiação não acarreta em nenhum outro benefício senão minha admiração e respeito. E, por ser um prêmio promulgado, no qual os vencedores sequer tomam ciência de serem-no, não há possibilidade de recusa.
domingo, novembro 15, 2009
Laureado 2009 - Gonçalo M. Tavares

sábado, setembro 05, 2009
sexta-feira, novembro 14, 2008
Homenageado 2008 - Roberto Bolaño
A boa literatura é aquela que te leva a uma ação, fisíca ou psíquica. Bolaño me obrigou a desviar do caminho pelo qual eu seguia. Queria chegar em um lugar no qual ele já havia chegado há tempos. Agora preciso de novos horizontes.
Por provar que uma vez trilhei um caminho certo (que se pelo qual eu seguisse, chegaria onde Bolaño chegou), e por renovar minhas esperanças de que eu posso encontrar outro bom caminho, Roberto Bolaño recebe minha homenagem em 2008.
“Finamente chegara o momento que eu tanto esperava. Depois de mais de seis meses recebendo lindas e estranhas declarações de amor, quase anônimas, eu iria conhecer o misterioso remetente. Digo “quase anônimas” porque, apesar de serem assinadas por alguém que se dizia chamar Cláudio, eu não podia supor com mais precisão além da suspeita quem era seu real autor.
Por mais absurdo que pareça, enquanto aguardava, apenas duas coisas passavam por minha cabeça: a) quem teria matado Cesária Tinajero e; b) que meu admirador secreto só poderia ser alguém da livraria Haldora.”
(Leandro Müller, in “28 relatos de abismos sobre si mesmos”, Prólogo.Clarice)
Laureado 2008 - Ernesto Sábato
No capítulo XXV de “O túnel”, podemos ler a seguinte passagem:
"Repare que eu nunca consegui acabar um romance russo. São tão trabalhosos... aparecem milhares de tipos e no final resulta que não são mais que quatro ou cinco. Mas claro, quando você começa a se orientar com um senhor que se chama Alexandre, logo resulta que se chama Sacha e logo Sachka e logo Sachenka, e imediatamente algo grandioso como Alexandre Alexandrovitch Bunine e mais tarde é simplesmente Alexandre Alexandrovitch. Mal você se orienta, já te despistam novamente. Não acaba nunca: cada personagem parece uma família."
Belíssima, mas com um porém: ela nada tem a ver com a história do livro.
Segundo meu amigo Tony Azevedo, alguns tipos de escritores inserem passagens desse tipo em seus romances para ficar rindo de seus leitores. Trata-se de um recurso de pura satisfação pessoal, mas que é responsável para que todo o esforço em escrever um longo romance valha a pena. Simpatizei com a idéia.
Pela liberdade de rirmos de nós mesmos, Sábato, já bem velhinho, recebe os louros de 2008.
«L.M.»
“— Isso me faz lembrar o caso de um escritor que ia de Copacabana para Botafogo e resolveu cortar caminho por dentro do cemitério São João Batista. Chovia uma chuvinha bem fina, mas suficientemente intensa para molhar. Numa daquelas vielas apertadas entre covas, o sujeito escorregou num túmulo de mármore rosa e deu com a cabeça no chão. Porém, antes de morrer — sim, depois ele iria morrer — se arrastou pra fora do cemitério, atravessou a General Polidoro, e ainda entrou por mais um quarteirão bairro adentro, como se estivesse fugindo de algo.
— ¿Sério? ¿E de que ele fugia?
— Alguns disseram que ele fugia do lugar-comum. ¿Sabe como é? Morrer num cemitério, pega super mal para um escritor. Tudo bem que na vida real ainda podemos ver esses tipos de chavões, mas na literatura não... ¡a literatura tem que ser muito maior que vida!
— ¿E o que fazer quando a vida se torna maior que a literatura? — quis saber Letícia, crendo que o amigo teria uma resposta.
— Crie você a ficção, pois as que existem já não lhe servem mais para nada.”
(Leandro Müller, in “Parábola do matemático sem fé e outras funções quadráticas” (Letícia); in Haldora: a literatura e suas almas)
quinta-feira, novembro 15, 2007
Laureado 2007 - Enrique Vila-Matas
El primero que me habló del autor de “Suicidios ejemplares” fue mi gran amigo portugués, Jorge Flores, que decía ser lo mejor escritor español vivo. Flores había ido a Póvoa de Varzim para una entrevista con Vila-Matas. Yo, que vivía cerca, en Oporto, fui al encuentro de los dos. Hablé con Flores, pero no con Enrique. Yo todavía no me había enterado de la fascinación del Dr. Pasavento por la desaparición...
Meses después, ya vivía yo en Barcelona, y leía Dr. Pasavento, descobrí que alguien que no yo, conocía Albert Cossery, mi laureado de 2006. Nada podría hacer si no rendirme a él. Pasé a buscar Vila-Matas por la ciudad, caminando cerca del Passeig San Joan o por las librerías de Raval. Empero él había desaparecido. Escribí a Flores, pero el no sabía como hallar el escritor catalán. Busqué por los organizadores de evento literário en Portugal, pero nadie sabía de él. Dr. Vila-Matas realmente había desaparecido. Contacté hasta los editores brasileños del autor, que eticamente me han negado cualquer medio de encontrarlo. Su vida y su literatura se mezclaban.
Un día, regresado a Brasil, me cayó en las manos una posibilidad de hablarle. Le escribí sin esperanza a él... pero me contestó en menos de 24 horas...
Hoy también quiero ser invisible. Y a pesar de que ya me había dicho eso Cioran, es a Vila-Matas que oigo.
Por enseñarme la posibilidad de vivir invisible, laureo Enrique Vila-Matas en este año de 2007.
«L.M.»
“¿¡Nome?! Não tenho… uma vez me chamaram Spelucchino, ¡seja lá que diabos isso for! Acho que tem algo a ver com meu espírito errante. Não porque sou um vadio, mas sim porque erro muito. Toda minha vida é um erro; mas não uma mentira conforme os senhores acusam e querem acreditar.”
(Leandro Müller, in Spelucchino ou A caminho de uma nova abjuração copernicana ou Sim, o sol gira em torno da Terra, ¿já posso voltar pra casa?)
Homenageado 2007 - Julio Cortázar
Primeiro é necessário escrever um livro extremamente criativo e original. Porém, é preciso observar se o referido prêmio de literatura já existe. Caso não exista, desista do prêmio, mas nunca da obra... esse é o princípio básico dos merecedores (cabe diferenciar alguém que merece um prêmio e alguém que recebe um prêmio).
Em segundo, crie algo em sua obra que modifique a vida de alguém, algo que cause alguma reação física, incluindo-se processos mentais, que não deixam de ser físicos. A história pode ser sobre qualquer coisa desde que o leitor se sinta tocado ou transtornado, o que é melhor ainda (faço notar que se sentir relaxado ou feliz ao ler um livro também é um estado de transtorno).
Em primeiro escreva alguma coisa sobre Cronópios, sobre Famas, sobre Esperanças, sobre comportamentos estranhos, sobre pessoas estranhas.
Em terceiro, funde um clube em Paris no apartamento de alguém. Fale sobre jazz, literatura, filosofia. O principal é ler trechos da obra de Morelli. Se o clube for em Buenos Aires, deve-se ler Ceferino.
Em segundo, etcétera até a pedrinha cair fora do desenho no chão, feito preferencialmente com giz roubado da escola ou com um pedacinho de tijolo vermelho de uma construção vizinha, então passa a ser a vez do próximo competidor e tudo recomeça. A pedrinha pode ser o pedacinho de tijolo.
Sentado com Oliveira à janela do manicômio pensei: se vou para um lado, encontro a morte; se vou para o outro, retorno ao manicômio (não ao mundo, mas ao manicômio). Cabe a nós decidir de qual lado da janela queremos estar e, embora seja confortável permanecer sentado nela, aqueles loucos do manicômio vão tentar nos puxar para o lado deles.
Essas coisas eu penso sozinho. Mas nas terças eu compartilho com as pessoas do clube ouvindo Coltrane. É por isso que Cortázar recebe minha homenagem nesse ano de 2007.
«L.M.»
