terça-feira, novembro 14, 2017

Homenageado 2017 - Eric Hobsbawm

Alguns dizem que são tempos estranhos, mas prefiro crer que são tempos interessantes. O mais fascinante é que todos os tempos são interessantes, principalmente se considerarmos os processos históricos que teimam em nos convencer que as transformações as quais presenciamos podem ser explicadas pelo passado. Independentemente das críticas à historiografia, é inegável que uma obra bem construída nos dá a segurança de uma narrativa histórica confortável e imune às vicissitudes da vida. Fatos nada mais são que impertinências... a interpretação é que verdadeiramente define o mundo!


Por fornecer um recorte do mundo contemporâneo, que torna a vida mais tolerável, Eric Hobsbawm recebe minha Homenagem neste 2017.

Laureado 2017 - Michael Dobbs

Poucos desconhecem, principalmente talvez pelo Kevin Spacey, o fenômeno chamado House of Cards. Eu também o conheci assim, no Netflix. Até que alguém me disse: “sabia que a série original é britânica?”; e não tive outra opção senão procurá-la (é homônima e também está no Netflix). Mas as surpresas não pararam por aí, e após assistir a primeira temporada, descobrir tratar-se de um livro — na verdade três livros — no qual ambas as séries foram baseadas.

Não me recordo de ter lido um livro por causa de uma série ou filme, embora já tenha visto filmes cujo livro tenha lido. Esse caminho inverso me foi novo, me foi diferente, me causou um bom estranhamento. E ler a trilogia me levou a rever todas 5 temporadas da série americana e as 3 temporadas da série britânica, fazendo uma analise comparativa delas juntamente com os 3 livros. Análise profunda de crossmídia! Foi uma grande alegria encontrar uma narrativa tão forte que pudesse ser explorada de tantas maneiras, e tão bem executadas em todas elas.


E por ser a fonte original de tamanho potencial literário, Michael Dobbs recebe em 2017 esta Láurea.

segunda-feira, novembro 14, 2016

Homenageado 2016 - Jenaro Prieto

Tenho um grande amigo mitômano. Ao menos é assim que o definiriam aqueles incautos que não percebem como a realidade pode ser enriquecida com a ficção. É como dizer que trabalho com “tecnologia de armazenamento e propagação de narrativas” para explicar que faço livros.

Este ano fiz um novo amigo, desconhecido da maioria aqui no Brasil. Não por estar morto há quase um século, mas talvez por ser chileno e ainda inédito por aqui. Passamos o réveillon juntos e, por três dias, trocamos muitas ideias.

Gostaria muito de revê-lo, mas como é preciso passar por seu “sócio” para alcançá-lo, isso acaba prejudicando o processo de reencontro.


Assim ,por me ensinar como a vida real pode ser amplamente enriquecida com pequenas (ou grandes) alterações na forma como os acontecimentos são narrados ou percebidos, Jenaro Prieto recebe minha homenagem em 2016.

Laureado 2016 - Roger Chartier

Há um grande ruído geral dizendo que 2016 foi um ano ruim. Talvez em um cenário maior realmente tenha sido, mas individualmente, 2016 me trouxe enormes alegrias. A construção de uma pós-graduação em Edição e Gestão Editorial, o novo trabalho como designer na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a continuidade das aulas no SENAI, ser agraciado em um edital para desenvolver uma série de TV, múltiplos encontros familiares, fortalecimento de amizades, a cumplicidade amorosa permanente. E a chance ter lido exaustivamente grande parte da obra do Roger Chartier, uma das maiores autoridades dos assuntos que mais estudo.

Em tempos onde o mundo parece ter enlouquecido, poder isolar-se em uma bolha é quase bênção. Encontrar vozes lúcidas e pessoas iluminadas é um grande estimulante. Quando meus alunos mais jovens me questionam sobre toda essa barbárie do mundo (no macrocenário e nas pequenas desgraças cotidianas) eu costumo responder que o mundo vale a pena por causa de 6 pessoas que iremos conhecer ao longo da vida (talvez sejam até mais). Porém, são essas 6 grandes pessoas que nos fazem ter esperança e suportar todo o resto.


Por ter feito sentido quando, uma vez mais, tudo parecia desafiar a lógica, Roger Chartier recebe minha Láurea neste ano de 2016. 

sábado, novembro 14, 2015

Homenageado 2015 - Mary Shelley

Existem histórias que nos acompanham há tanto tempo, que sequer nos preocupamos em saber se de fato elas são reais. O imaginário coletivo muitas vezes transmite um clássico sem verdadeiramente recorrer à sua essência. Já me havia ocorrido uma vez, ao ler “O Médico e o monstro”, que na história oral circula como um telefone sem fio, perdendo seu verdadeiro espírito. Este ano, novamente fui surpreendido, ao dedicar-me à adorável criatura criada pelo doutor Frankenstein.


Poderíamos interpretar a lição à moda antiga, de que o homem nasce bom e o mundo o corrompe (o que já estaria muito além do que o cinema fez com a obra), acreditando tratar-se de uma obra de terror. Poderíamos ficar apenas com o que ouvimos dizer sobre esse belo livro. Mas se fizéssemos isso, estaríamos falando de outra obra, e não de Frankenstein.
O livro que li é filosofia. É uma tentativa de compreender o homem e o que o torna mau (semelhante ao feito no já citado “O médico e o monstro”, escrito mais de meio século depois). Frankenstein é uma grande aula sobre aprendermos a ser muito além do que todos dizem que somos. Por esta razão, Mary Shelley, mãe de tão bela criatura, recebe minha homenagem.

Em tempo: a criatura gerada por Frankenstein era VEGANA (se alimentava de frutos caídos e castanhas), sem jamais ter feito mal a nenhuma criatura viva (obviamente com exceção dos amiguinhos e familiares de seu criador)

Laureado 2015 - Hans Ulrich Obrist

2015 foi um ano do tipo muitos em um. Vários anos concentrados em um só. E uma das características mais marcantes deste ano foi a necessidade de me dividir em múltiplas funções e atividades. Curiosamente, uma dessas atividades foi o início de pesquisas sobre “Curadoria”, cujo conceito cada vez mais se aproxima do processo que implica a realização de qualquer escolha estética. Não da estética que tem a ver somente com a beleza, como o senso comum pode nos levar a crer. Um regime estético é, antes de tudo, um modo de ver o mundo. Um ponto de partida para a interpretação das coisas.


Com este aprendizado recente, minha imaginação me levou a buscar uma forma de desempenhar miríades de papéis: professor, coordenador, escritor, revisor, diagramador, concurseiro, editor, pesquisador, aluno... para ser tudo isso com eficiência eu precisava de uma “curadoria de vida”, para organizar cada função em seu tempo e espaço preciso.
Provavelmente citando alguém, lembro-me de meu pai dizendo: “se tiveres oito horas para cortar uma árvore, passe sete horas amolando seu machado”. Interpretei que o importante na execução de uma tarefa era ter as ferramentas certas e a preparação adequada. Por meio dessa breve alegoria, percebi que, intuitivamente, servi-me de um precioso instrumento para sobreviver ao atribulado ano e criar um regime estético de curadoria de vida: Hans Ulrich Obrist.

Assim, pelo precioso auxílio na criação de uma curadoria de vida, Obrist recebe meus louros em 2015.